Pensei escolher a palavra disponibilidade, mas desisti. Talvez, espontaneidade fizesse mais sentido. Mas não, ainda não diz tudo.
Opto por mãe mesmo. Mãe e pai de quatro meninas e um varão.
Não que todas as mães sejam iguais, mas há aquelas que vivem a maternidade na sua mais extrema radicalidade, quando a doação não encontra limites. Não estou a dizer que tua identidade tenha se diluído no educar cotidiano das filhas e filho. Não deixaste de ser, e, aí, reside teu mérito.
Difícil conciliar o papel de mãe e amiga. Foste mãe; a amiga foi uma consequência.
Foste do oito ou do oitenta no primeiro momento. Mas sempre prevaleceu o meio termo afetuoso no instante seguinte: tua ampla cama acolhia todos.
As dificuldades pela sobrevivência foram tantas... A disposição para o trabalho superou o pouco estudo e a viuvez precoce, quando tua mais velha tinha apenas cinco anos.
Para ti, todos eram amigos. Não digo que fosse ingenuidade. Era teu jeito de esperar sempre o melhor das pessoas. Aliás, essa capacidade de fazer amigos muito contribuiu para a superação das adversidades e afirmação no mundo. Não há registro que teu coração tenha conhecido o rancor.
Teu falar alto e alegre ainda ecoa nas gavetas da memória.
Orgulho-me de seres a avó materna de meus filhos.
Só uma coisa dói-me muito: não poder escrever os verbos no presente.
Opto por mãe mesmo. Mãe e pai de quatro meninas e um varão.
Não que todas as mães sejam iguais, mas há aquelas que vivem a maternidade na sua mais extrema radicalidade, quando a doação não encontra limites. Não estou a dizer que tua identidade tenha se diluído no educar cotidiano das filhas e filho. Não deixaste de ser, e, aí, reside teu mérito.
Difícil conciliar o papel de mãe e amiga. Foste mãe; a amiga foi uma consequência.
Foste do oito ou do oitenta no primeiro momento. Mas sempre prevaleceu o meio termo afetuoso no instante seguinte: tua ampla cama acolhia todos.
As dificuldades pela sobrevivência foram tantas... A disposição para o trabalho superou o pouco estudo e a viuvez precoce, quando tua mais velha tinha apenas cinco anos.
Para ti, todos eram amigos. Não digo que fosse ingenuidade. Era teu jeito de esperar sempre o melhor das pessoas. Aliás, essa capacidade de fazer amigos muito contribuiu para a superação das adversidades e afirmação no mundo. Não há registro que teu coração tenha conhecido o rancor.
Teu falar alto e alegre ainda ecoa nas gavetas da memória.
Orgulho-me de seres a avó materna de meus filhos.
Só uma coisa dói-me muito: não poder escrever os verbos no presente.
É uma saudade que não se apaga. Obrigada por poetizar tão profundamente minha mãe.
ResponderExcluirGláucia
Oi, Poeta! Gostei do teu blog: simples, enxuto e denso como uma caneca de ágata, de conteúdo visível para quem te conhece e invisível para quem não sabe ler a tua pessoa. Certamente Dona Maria sabia e era merecedora das tuas palavras. Na última frase, parece que o verbo deveria ser "poder" e, não "puder". Linda prosa - sabes ser biografo das sutilezas, em lugar de biógrafo dos fatos. Depois volto para comentar outros poemas. Aguarde meu blog, quando eu estiver meio grogue de paixão perto do rio Jacuípe, aqui perto. Beijão pra Márcia, Leo e Marcela. Inté!Paulim
ResponderExcluirOi, Leo!
ResponderExcluirNão deu pra esperar. Já ativei o blog À Sombra da Mangueira.Gostei do resultado, mas e só um começo, ou só um acerto, eu acho.Tô feliz. Agora a gente vai poder poetizar toda semana!!!
um grande abraço, meu amigo! Paulim