sábado, 13 de março de 2010

Feliz Aniversário

Quando mais novo quis ser muitas coisas. Ter também, é claro, mas, principalmente, ser. Sonhei adoidado. Sonhar era parte de minha carne, concreto, absurdamente concreto.

Não eram sonhos megalômanos: coisas simples, como mudar o mundo. Mas mudar em quê? Só sabia que para melhor. Como? Ainda não sei.

Ainda sonho, não mais adoidado; as retinas já não enxergam tanto.

Sonhos tantos se realizaram, é bom que se diga. Escolho dois, que respondem pelo nome de Leo e Marcela, meus rebentos.

Eles foram além do onírico. Têm voz, corpo e algo de inefável. São meus filhos, ou, em outros termos, a concretude da paternidade ― um dos sonhos sonhados.

A realidade suplantou o sonho: foi além, a reforçar a tese que “viver é melhor que sonhar”. Neste caso, não tenho dúvidas.

Amo meu menino e minha menina. Esta meiga e determinada, aquele meigo e fluido. As águas dela a reclamar um leito definido, enquanto as águas dele querem um leito novo.

O oceano é um só, eu sei.

Nenhum comentário:

Postar um comentário