Não consta que foste menino,
um dia,
de brincar de pega e pião.
Talvez,
passarinhos,
mataste de baladeira
nas longas esperas
pastorando arroz.
Mas não consta
que foste menino,
um dia.
A morte prematura do pai,
os irmãos menores
a correr soltos
pelas capoeiras,
a doce cana,
um dia,
de brincar de pega e pião.
Talvez,
passarinhos,
mataste de baladeira
nas longas esperas
pastorando arroz.
Mas não consta
que foste menino,
um dia.
A morte prematura do pai,
os irmãos menores
a correr soltos
pelas capoeiras,
a doce cana,
moída em engenho alheio,
fizeram brotar o homem,
cedo, em ti.
Plantador de engenhos,
te impuseste ante
a arrogância de um tio.
Visionário,
sabias que São Paulo
era bem ali,
e negociaste com jipe.
Empreendeste,
arriscaste,
venceste.
Não sei se, alguma vez,
falaste,
na solidão das estradas,
sobre o brilho azul das estrelas no céu
a Zé Madalena,
teu Sancho Pança.
Também não sei
que sonhos tinhas
embalado pelo rádio Transglobe,
embaixo da rede,
nas noites do Coité.
De uma coisa sei:
o tempo não pára de fluir
e abate todos.
Mas, teimoso,
não consta que ficaste velho,
um dia.
Fortaleza, 16/janeiro/2004.
fizeram brotar o homem,
cedo, em ti.
Plantador de engenhos,
te impuseste ante
a arrogância de um tio.
Visionário,
sabias que São Paulo
era bem ali,
e negociaste com jipe.
Empreendeste,
arriscaste,
venceste.
Não sei se, alguma vez,
falaste,
na solidão das estradas,
sobre o brilho azul das estrelas no céu
a Zé Madalena,
teu Sancho Pança.
Também não sei
que sonhos tinhas
embalado pelo rádio Transglobe,
embaixo da rede,
nas noites do Coité.
De uma coisa sei:
o tempo não pára de fluir
e abate todos.
Mas, teimoso,
não consta que ficaste velho,
um dia.
Fortaleza, 16/janeiro/2004.
Aniversário de 80 anos
Joaquim Bezerra Monteiro é meu tio e padrinho de batismo. Sua história de vida sempre fascinou meus olhos de menino e de homem. Corajoso e arrojado, esteve sempre à frente de seu tempo.
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